quinta-feira, setembro 30, 2004

técnica especializada em tarefas domésticas

a francisca vai lá a casa no sábado de manhã. se tudo correr bem passo a ter empregada uma vez por semana. eu sei que é luxo, mas é essencial para a minha saúde mental.

quarta-feira, setembro 29, 2004

à falta de posts...

... deixo ali em baixo à direita mais dois links.
o afixe e a barriga de um arquitecto.

segunda-feira, setembro 27, 2004

já comecei!

comecei na sexta-feira o meu saco de sacos. agora está parado por falta de matéria-prima.

ainda a praxe

Um olhar sobre a praxe

Houve em tempos, entre os chapeiros e os mecânicos, a praxe de receber os aprendizes que eram admitidos nas oficinas de automóveis com uma revista. Pretendia ser um ritual iniciático, um modo de receber quem chegava á corporação. A revista era um acto cruel: o aprendiz era agarrado á força pelos mais velhos e as suas partes genitais eram devassadas e ungidas com óleos lubrificantes queimados e massas consistentes. A submissão violenta aos oficiais do ramo demarcava as balizas hierárquicas e, ao mesmo tempo, fazia as honras da casa. Os óleos queimados simbolizavam um futuro digno e ferruginoso, a proverbial rudeza da classe operária. Os aprendizes ficavam a saber que, se quiesessem singrar na arte, tinham de passar o exame sem desalento nem choraminguice. Só aturando as venetas dos oficiais estariam á altura de receber os segredos do ofício. Tratava-se de passar de rapaz a homem, perceber a tradição para a poder perpetuar. Entretanto, os chapeiros civilizaram-se. Urbanizaram-se nos centros comerciais, embarcaram na nave global da comunicação, adquiriram telemóveis, ligaram-se á Web, compraram roupa de marca, passaram a ir a cursos de reciclagem sobre o comportamento dos novos materiais e sobre as novas técnicas de desentortorar guarda-lamas. A praxe caiu na pura obsolência. A classe operária subiu um degrau na piramide.
Paradoxalmente, os estudantes universitários entraram num processo regressivo e abraçaram a praxe.
Todos os anos, a imaginação dos veteranos fica mais fértil.
Recebem os caloiros proclamando uma hierarquia com base no respeitinho, na salvaguada de uma tradição. Muitos docentes acham a praxe sadia, desde que dentro dos limites do decoro, mas lavam as mãos do estabelecimento dos limites do decoro. Decoro é uma palavra de ressonâncias moralistas.
Ninguém gasta o precioso tempo de uma carreira a explicar-lhes que o espírito universitário devia ser um espírito elevado, indagador, eivado de rebeldia intelectual, enão o garante de uma tradição assente no primado da obediência ao mais forte.
A tradição dos grandes pensadores que lutaram contra a lei da selva dilui-se na tradição do "respeitinho é muito lindo". A universidade enquanto última fronteira do saber, vanguarda do pensamento, cede lugar à retaguarda do conformismo político e social. A tradição académica é o efe-erre-à, alfobre de juventudes partidárias instruídas na subserviência e na disciplina ao partido em troca da futura sinecura. O que parece latejar sobre os corredores da Universidade é o espírito da caserna e não o espírito livre alimentado pela curiosidade intelectual.
Nos meus tempos fa faculdade de letras, nos anos oitenta, nunca me apercebi dum espírito desses. Não que houvesse uma atmosfera de inquietude, de discussão, de especulação, de procura de esse algo mais que devia estar subjacente ao espírito universitário, mas não imaginava que, no início do século XXI, a coisa andaria no patamar da mera ostentação do traje negro, da fita colorida, da insígnia, da benção das pastas pelo Bispo.
Não há, na Queima, o mais pequeno vislumbre de imaginação.
Parece uma mera celebração do "ser estudante", como se ser estudante aparente ser uma grande coisa. Como se andar de capa e batina aparente ser mais do que andar de fato-macaco. A pulsão que está por baixo é pior. A «Queima», não raro, decorre entre o espírito de clauqe de futebol e o de festa de despedida de solteiro. Uns excessos, uns copos, umas cartolas, umas umas bengalas, e lá se vai a exaltação universitária, desmandos derradeiros de juventude antes do abraço á vida séria. Não esperava que os estudantes passassem o período da «Queima» em bisonhos e mesas-redondas a discutir matérias nobres, ma podiam ao menos tentar demosntar que são capazes de ser notícia pela sua capacidade de invençaõ e intervenção, e não pelo mero folclore dum desfile ou pela simples algazarra.
A praxe, na sua face mais torpe, chegou já á academia da polícia. Quem precisa destes ritos de passagem?
Entretanto, no remanso das oficinas, os mestres seguem nos telejornais, com espanto, as notícias dos excessos dos futuros doutores que um dia lhes entregarão os carros para revisão, já devidamente circunspectos e ostentando a respeitabilidade do seu munus, mas com a alma ainda curtida pelas saudosas farras académicas, onde beberam o espírito universitário e disseram adeus à inesquecível mocidade.

Carlos Tê (Filosofia, 1981)


(encontrei aqui)

sexta-feira, setembro 24, 2004

abaixo a praxe!

(sem tempo para dissertar sobre o assunto, mas irritada demais para ficar calada.)

eles estão aqui, na minha janela. uns vestidos de preto, sinistros; os outros todos molhados, depois do banho nos vulcões do parque das nações.

"Maçã com Bicho

Letra: Sérgio Godinho
Música: Nuno Rafael e João Cardoso

O tempo passa
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista

P`ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar, ladrar
lamber de quatro o chão

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p`ró estudante
que não quer ser popriamente
um ingnorante

Empurrar fósforos com o nariz 
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes

eis tradição
sem ser o que era dantes 

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

Não vou usar 
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos 
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe"

leitinho

o parque das nações hoje de manhã está assim:

mal se vê o oceanário...

(sim, eu sei, a fotografia não está muito boa. de qualquer maneira, obrigada, hugo ;), pelo empréstimo do telemóvel)

quinta-feira, setembro 23, 2004

isto anda tudo ligado

de linque em linque, encontro relações entre blogues que desconhecia. e lembro-me da teoria dos seis graus de separação. não sei se se aplica na vida real, mas na blogosfera portuguesa tenho quase a certeza que sim...
e isso faz-me sentir mais perto de alguns daqueles blogues ali à direita. agora, enquanto leio blogues, vou fazendo festinhas ao ego... ;)

não sei porquê...

... mas hoje acordei com esta música na cabeça:

"Folhetim

Chico Buarque

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim"

de qualquer maneira... chico buarque no seu melhor! :)

segunda-feira, setembro 20, 2004

o meu bairro visto do céu



distinguem-se perfeitamente a praça e a mata. e também a minha rua - que é uma avenida...!
(mais portugal visto do céu aqui)

as gatas do pipo




não ficaram perfeitas. deram muito trabalho. mas para primeira experiência acho que não me saí nada mal... fiquei mesmo bastante contente com o resultado...

na sexta-feira o pipo esteve lá em casa e conheceu as originais :)

(e, mais uma vez, obrigada à rosa pela inspiração)

tricotadeiras

já é oficial: se no próximo dia 11 conseguir sair a horas, vou tricotar.

sexta-feira, setembro 17, 2004

compras

costumo fazer compras nos hipermercados e, mais recentemente, no seu sucedâneo lidl. faço-o na ilusão de que me basta uma visita destas por mês para me abastecer a despensa. depois acabo sempre por precisar de ir ao supermercado ao pé de casa, porque a meio do mês acaba sempre qualquer coisa...
mas agora descobri a praça! não a descobri agora, há 30 anos que sei que ela lá está... mas, para mim, a praça era um sítio onde se ia fazer compras ao sábado de manhã. e ao sábado de manhã, sorry... tenho mesmo é que pôr o sono em dia...
há uns tempos, a loja de congelados onde compro o peixe das gatas fechou para férias. era de manhã, e eu lembrei-me de procurar uma alternativa na praça. fiquei a saber que na loja da praça a pescada congelada é bastante mais barata, e continuo a lá ir.
hoje fui comprar mais peixinho e, como precisava de outras coisas, dei uma voltinha à praça e comprei ainda maçãs, batatas e uma alface. e gostei. gostei do ambiente com os produtos frescos sem ser do frigorífico, gostei do atendimento (apesar de se terem enganado no troco...) e gostei de saber que as maçãs (são daquelas pequeninas) são da "zona de torres" em vez de serem do chile, ou da argentina, ou de qualquer outro país de onde elas tenham que vir de avião...
vou passar a fazer estas compras nas praça. tenho que me levantar um bocadinho mais cedo mas vale a pena...

quinta-feira, setembro 16, 2004

De Mais Ninguém

(Marisa Monte/Arnaldo Antunes)

Se ela me deixou, a dor
é minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor.

Se ela preferiu ficar sozinha,
ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou a dor é minha,
a dor é de quem tem.

| É meu troféu, é o que restou,
| é o que me aquece sem me dar calor.
| Se eu não tenho o meu amor,
| eu tenho a minha dor.

A sala, o quarto, a casa está vazia,
a cozinha, o corredor.
Se nos meus braços ela não se aninha,
a dor é minha.

| É o meu lençol, é o cobertor,
| É o que me aquece sem me dar calor.
| Se eu não tenho o meu amor
| eu tenho a minha dor (...)

quando comprei este cd estava na alemanha e adorei esta música. fazia-me lembrar o fado (eu, que não gostava de fado). na altura sentia-me assim, vazia, longe das minhas pessoas.
hoje ouvi-a quase por acaso, e lembrei-me como gosto desta canção - já há muito tempo que não a ouvia...

quarta-feira, setembro 15, 2004

uau... cansaço bom...!

há mês e meio que não ia à ginástica. hoje, depois de resolvido o "jet lag" provocado pelo excesso de ócio durante as férias, senti-me com coragem para voltar a pedalar. não tinha vontade nenhuma e pensei em mil argumentos para deixar de fazer ginástica. mas sabia que tinha que ser. e foi. e foi muito bom!

agulhas

agora, além da agulha de crochet, tenho que arranjar agulhas de tricot. não sei se vou poder ir, mas gostava... ainda não me inscrevi.
(slowly getting crafty...)

terça-feira, setembro 14, 2004

desligada...

tenho mesmo que arranjar rede lá para casa... cada vez tenho menos tempo para brincar aos blogs no trabalho...

segunda-feira, setembro 13, 2004

festas

melhor que uma festa são tantas festas juntas. foi no sábado, no clube.
comi, bebi, conversei com os amigos e brinquei com os filhos deles. foi muito bom.
o pipo gostou muito da prenda - as minhas três gatas em versão boneco-de-pano (eu ponho aqui no blog assim que o fernando me mandar as fotos).
no domingo fomos arrumar o clube - não é nada fácil limpar um tacho gigante sujo de feijoada queimada... ainda tenho as unhas encardidas...

sexta-feira, setembro 10, 2004

estou triste

como se alguém de quem eu gosto muito se tivesse ido embora para sempre...

quarta-feira, setembro 08, 2004

passeios no cacém

estive a ler um post da mãe e lembrei-me dos meus passeios. eu e o manel, e mais tarde também o vasco, também passeámos com o avô. aos domingos de manhã, se dormíamos lá em casa, ou de tarde, quando lá íamos só passar o dia.
se fosse de manhã, íamos a uns montes que seguiam a linha do comboio na direcção de lisboa (agora acho que já lá há alguns prédios). se fosse um domingo à tarde, íamos ao pinhal. o pinhal tinha mais eucaliptos que pinheiros. às vezes (muitas vezes) o pai também ia e construíamos cabanas de troncos velhos e folhas secas. as cabanas nunca ficavam prontas no mesmo dia, ficavam meio feitas e no domingo seguinte continuávamos a construção.
ainda hoje gosto de passear, e não tenho medo de andar longas distâncias a pé, desde que tenha tempo... gosto de andar a pé na cidade, na praia e no campo. se for na cidade não me importo de passear sózinha, mas na praia ou no campo prefiro estar acompanhada.

devia passear mais...

o que é que se passa com isto???

este blogger hoje não está bom...

lindo dia!

com esta chuva a levar-nos antecipadamente para o outono, eu vou ter que ir à pollux à hora de almoço - se estiverem abertos... comecei um projecto secreto para oferecer a uma pessoa muito especial. mas acabei por não fazer a sopa...
e estou cheia de sono...

segunda-feira, setembro 06, 2004

durante as férias...

a rosa mencionou o meu saquinho lindo no seu blog e eu, que já estava muito orgulhosa do meu trabalhinho, fiquei ainda com mais vontade de fazer mais coisas.
o zé mário fez um postzinho com o meu blog. isto é para mim uma mui grande honraria. quando soube fiquei babada e muito contente. que alguém como o zé mário ache que este blogzito é digno de ser visitado, é para mim um grande elogio. (o bde foi o primeiro blog que eu comecei a ler e a seguir à séria)
e a maura lincou o meu blog, o que é também um reconhecimento que me deixa muito feliz ;)

obrigada :)))

mais um assunto pendente...

tenho que tratar de arranjar uma ligação (internet) para casa... estou farta de ler posts, ou de os escrever, a pensar que vou ter que interromper o meu raciocínio a qualquer momento, sabe-se lá quando é que vai chegar o trabalho...

o fim do verão

acabaram as férias, o tempo já não está tão quente e o despertador hoje de manhã lembrou-me de muita coisa que tinha conseguido esquecer durante estas três semanas.
as feriazinhas foram boas (melhores para mim do que para algumas pessoas que as passaram comigo), consegui descansar e pôr o sono em dia, fazer praia e jantar optimamente.
agora há que reorganizar tanta coisa que ficou pendurada desde agosto...
tenho que levar o carro ao mecânico. está a acender uma luz, "cooling system" diz o manual... (o óleo e a água estão em ordem, amiguinhos dos carros!...) acho que é capricho do carrinho, mas tenho que checar.
tenho que ir à loja do cidadão alterar a morada em tudo o que é cartão - se calhar vou precisar de um dia inteiro :(
tenho que comprar estores para a sala (quase 5 metros de montra para os vizinhos da frente...)
tenho que ir às compras e encher o frigorífico.
tenho que começar a praticar o crochet para fazer um saco de sacos.
tenho que ir buscar o meu antigo sofá, estou farta das poltronas e as gatas também não gostam.
enfim, tenho muito com me entreter...

(entretanto um dos peixes morreu. ele estava doente quando eu fui de férias e cometeu um acto desesperado, saltou do aquário. agora tenho a tampa sempre fechada. é estranho olhar para o aquário e sentir que devia haver ali mais um deles. não consigo perceber se os outros sentem falta dele, os peixes não são animais tão interactivos como as gatas...)

baralha e volta a dar

nas últimas semanas antes das férias tiraram-me as cartas da mão, baralharam-nas e demorei algum tempo a perceber que jogo me tinha calhado. agora, depois das férias, começo a achar que tenho uma boa mão...