domingo, fevereiro 19, 2006

convento do carmo





a entrada; as janelas que parecem obeliscos; os arcos em ogiva; uma fénix, copiada de um motivo fenício; o nuno, que vive no convento e que deve ser quem melhor sabe o que lá vai dentro; a vista do elevador para o castelo ao fim da tarde - com a lua a espreitar lá por trás.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

feio é copiar?*

(post inspirado, não copiado, neste outro post - porque reconheci os receios e as incertezas.)

crescemos a copiar. copiamos os pais, o irmão mais velho, o primo, os colegas da escola. copiamos até sermos capazes de criar novas respostas para os problemas, as nossas próprias respostas, as que melhor encaixam na nossa personalidade. este processo de crescimento pode ser incentivado ou bloqueado. quem cresce com mais incentivos tem mais capacidade de resposta a novos problemas do que quem cresce com mais bloqueios e menos incentivos - mas atenção porque, às vezes, um aparente incentivo pode ser apenas um bloqueio disfarçado.

a capacidade de criação vem também, e sobretudo, da prática e do hábito. quando aprendemos a escrever, começamos por copiar o desenho das letras que a professora faz no quadro. desenhamos tantas vezes que um dia somos capazes de as desenhar sem olhar para o quadro. depois percebemos que há várias maneiras de desenhar a mesma letra e experimentamos copiar os diferentes estilos, até escolhermos um que nos parece o mais certo para dizermos quem somos. quando a técnica está interiorizada, deixamos de pensar no "desenho das letras" e a caligrafia passa a ser mais uma expressão da nossa personalidade.

transpondo esta ideia para a criatividade do mundinho do artesanato-online, encontramos de tudo. uns já encontraram a sua expressão enquanto outros ainda copiam as letras escritas no quadro pela professora. mas as letras que a professora escreve no quadro não são consideradas "propriedade intelectual". então o que é que pertence ao seu autor e a mais ninguém? os materiais que usa? a forma? a combinação das cores? ou o objecto como um todo? que partes é que eu posso copiar sem roubar ninguém? algumas das queixas, que surgem regularmente em alguns blogues, têm razão de ser e penso que vale a pena denunciar os casos flagrantes mas, na maioria das vezes, são acusações vãs e infundadas. a "criatividade", que parece ser para tanta gente a questão fulcral, é uma palavra usada quase com o sentido de mediunidade - só aqueles que possuirem esse "dom" são dignos de exercer a "arte". mas se a criatividade é algo passível de se aprender, então está ao alcance de todos… e lá se vai o mercado dos illuminati. ser "artista" deixa de ser um dom inato para passar a ser uma aprendizagem. se calhar há "artistas" que vão passar a vida a copiar e nunca hão-de encontrar a sua personalidade mas, quanto a mim, isso é um problema mais seu do que de qualquer outra pessoa.

quando comecei a fazer estas coisas de agulha não escondi a minha inspiração e, no entanto, debatia-me com a minha falta de "originalidade". um dia fiz algo um bocadinho diferente que, julgava eu, seria mais um passo no "meu" caminho. precisamente este passo tropeçou num comentário anónimo menos simpático que trouxe para a luz do dia as minhas inseguranças. desde essa altura já dei outros passos mas a confiança continua com muitos altos e baixos (mais baixos do que altos, na realidade). apesar disso sei que os bloqueios são meus, se estas questões me incomodam é primeiramente pela falta de confiança que tenho em mim mesma e pelo alto nível de exigência que ponho em muito do que faço. sei que quando descontrair o trabalho vai sair mais naturalmente e mais facilmente encontrarei a minha "criatividade".
muitas vezes as acusações que fazemos são projecções dos nossos medos. psicanálise, ioga, oração ou simplesmente um copo com os amigos, é o meu conselho para quem se sentir perseguido, plagiado ou copiado - porque rebolar no lodo só serve para te sujares.

respondendo à pergunta do título - feio não é copiar e dizer que se copia, feio é deixar comentários anónimos, feio é dizer ao colega do lado "tens uma letra muito bonita", com a cortesia de quem julga ter uma letra muito mais bonita. feio é tirar o brinquedo da mão do outro miúdo, empurrando-o e dizendo: "é meu!", mesmo que isso seja verdade. feio é mentir, dar esmolas e não pagar impostos.

* título inspirado ou copiado dos anúncios "feio é fumar", porque - e isto é uma das poucas coisas que aprendi na chafarica de vão de escada… - na publicidade nada se cria tudo se pica ;)

terça-feira, fevereiro 14, 2006

ironia

no dia dos namorados tomar café com o ex-marido.

sábado, fevereiro 11, 2006

antecipação

a tarde foi passada no convento do carmo. lindo! (fotos disponíveis assim que tiver novamente o photoshop no meu computadorzinho, coitadinho…) quando saímos do convento, o fim de tarde estava daqueles de postal, a lua quase cheia por cima do castelo e aquela luz tão especial de lisboa… muito lindo :D

terça-feira, fevereiro 07, 2006

para fora cá dentro

ando a viajar cá por dentro. a conhecer cantos que não conhecia. a descobrir pormenores desconhecidos em paisagens que conheço tão bem.
ao viajar vou descobrindo novos meios de transporte. hoje descobri um que tem como princípios a matemática e a geometria - já gosto dele e sei que pode levar-me onde quero, ou melhor, e mais importante, pode levar-me por onde quero.

só para dizer que estou aqui… mas a viajar ;)

sábado, fevereiro 04, 2006

post inútil

eu quero escrever um post, a sério que quero. às vezes chego mesmo a fazê-lo. depois leio-o e começo a apagar o que me parece estar a mais e, mesmo depois de o ter reduzido a metade ou a um terço do que era, aquilo que lá fica escrito parece-me redundante, tão redundante que nem vale a pena dizê-lo. e apago as poucas frases que sobravam.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

da vidinha

ainda a queimar euros do natal: mais dois collants, calças tipo pijama, hena para o cabelo e um batonzinho vermelho que esteve quase, quase mas não chegou a ser - achei que não devia gastar 6 euros numa coisa sem ter a certeza se lhe darei um uso regular.

ontem vi o "empire falls" e gostei. pensava que era um filme e gostei do final aberto. hoje de manhã enquanto fazia a cama, perguntava-me se o miles teria casado com a cindy ou com a charlene ou com nenhuma delas, se teria ficado no grill ou se teria conseguido comprar a livraria em martha's vineyard. agora já percebi que logo à noite vou saber, afinal o filme é mini-série e hoje tenho mais duas horas de "empire falls".